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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Resenha: A Noite dos Mortos Vivos - Um debate de direitos sociais, com zumbis?!?



Filmes com zumbis são tão antigos quanto o cinema. Temos registros de filmes com a temática zumbi (ainda que nesses filmes os zumbis fossem sonâmbulos e/ou zumbis decorrentes de vodu) desde a década de 20.

Em 1968, o diretor George A. Romero lançou seu filme, Noite nos Mortos Vivos (Night of the Living Dead). Um filme despretencioso, independente e em preto e branco, feito com um orçamento de U$114.000.

O filme tem a temática (então original) que hoje tanto vemos. Um grupo fica isolado enquanto centenas de zumbis de origem desconhecida cercam o local. Os conflitos internos entre os sobreviventes dão o tom do filme, com céticos relutantes em acreditar que mortos estão novamente caminhando e, pior, tentando devorar pessoas. Além destes, sempre existem aquelas brigas pra definir de quem é a liderança e se haverá alguma.

O filme foi lançado em meio ao então atribulado movimento negro americano dos anos 60. Martin Luther King e Malcom X haviam sido assassinados pouco tempo atrás e o debate ainda era vivo na sociedade americana. O lançamento de um filme onde um negro assume a liderança de um grupo totalmente composto por brancos causou repercurssão imediata entre a mídia, que taxou o filme de "subversivo" por tratar sultilmente (ou nem tanto) de temas como como família, guerra fria e feminismo.

Tornou-se um marco entre filmes de terror com uma mensagem subliminar que mexeu com a sociedade da época. Segundo os críticos, os espectadores se sentiam desconfortáveis de alguma maneira ao assistirem ao que se passava na tela. Seja pelo racismo inerente à sociedade naquela época ou seja pela forma como retrata pessoas de classe média se tornando estúpidos e covardes diante de uma ameaça onde não se pode contar com a proteção do governo.

O final do filme é surpreendente e tão digno de nota quanto todo o resto. Não vou dar um spoiler sobre o filme, já que como fã de filmes dessa natureza, cada um deve se sentir na obrigação de assistir a este clássico que se tornou a primeira pedra na construção dessa modalidade de cinema que hoje nos traz tantas gratas surpresas. Ok, algumas nem tanto, mas ainda assim, foi um marco por mostrar que não se faz necessário um investimento de milhões de dólares para se conseguir contar uma boa e perturbadora história que pode mudar a forma como as pessoas enxergam o cinema.

Sem mais. Assistam!!

domingo, 12 de junho de 2011

Resenha Filme: Shaun of the Dead (Todo Mundo Quase Morto)


Sem dúvida alguma, este filme é a melhor (e única) comédia romântica com zumbis já lançada no cinema (no caso do Brasil, saiu direto em DVD). O filme tem o típico humor inglês, bem non sense e totalmente inspirado no grupo Monty Python (que humor não é?). O filme deveria ter sido lançado juntamente com a refilmagem de Snyder de Madrugada dos Mortos, mas acabou sendo lançado poucas semanas depois para não ter que concorrer diretamente com este.

O pano de fundo do filme é basicamente o mesmo de vários filmes do estilo, com a crise de zumbis se espalhando silenciosamente pela sociedade, poucos dão importância às notícias desencontradas, nosso "herói" é um destes. Shaun é um sujeito paradão, sem iniciativa, que vai indo no balanço das ondas, sem se impôr ou se preocupar. Tem um trabalho medíocre, onde é um profissional medíocre e despretencioso. Tem uma namorada (Liz) que já está cansada dessa falta de iniciativa e decide pôr um fim no relacionamento. Seu amigo e colega de apartamento é Ed, um vendedor de maconha que faz pouco mais do que coçar o dia todo e jogar video game.

Decidido a mudar o rumo de sua vida, Shaun decide numa noite que irá se tornar uma pessoa melhor, mas seus planos são atrapalhados por uma inconveniente epidemia zumbi que acontece por todo o mundo naquele momento.

As situações são hilárias, a história segue um ritmo muito bom do momento em que Shaun se torna o pretenso líder de um grupo de sobreviventes e decide levar a todos para a segurança de um Pub onde passa a maior parte de seu tempo livre.

O típico humor britânico domina quase todos os momentos, o non sense de Ed é ótimo pra contrapor a seriedade com que Shaun tem que lidar com todas as situações como um líder. Além da forma que retrata a sociedade britânica, retratada aqui como se já fossem zumbis antes mesmo da doença se espalhar. A grande sacada do filme é justamente esta. A sociedade retratada é tão mecânica e impessoal que ninguém sequer nota a diferença quando os zumbis aparecem. Se não fosse pelo fato de eles serem devoradores de pessoas com feridas abertas, passariam despercebidos.

O filme se tornou um dos melhores filmes de todos os tempos na Inglaterra e segundo Stephen King, é um clássico do tipo. O DVD traz diversas cenas interessantes e making off do "zombie walk". Muito bom.

Trilha sonora 10, com sucessos britânicos e uma cena que entrou pra história: zumbis "aclamando" uma música do Queen no momento de maior desespero.

Pra qualquer um que aprecie uma boa comédia e história, Todo mundo quase morto é obrigatório, além do que, tem zumbis...